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Desperdício alimentar e Escopo 3: como incluir doações no seu inventário de GHG

Alimentos descartados em aterros geram metano, uma das emissões mais impactantes do Escopo 3. Saiba como calcular o CO₂ evitado por doações alimentares usando o GHG Protocol e como registrar isso no seu inventário.

Equipe Optima ESG

Time editorial

7 min de leitura·25 de maio de 2026

Quando uma empresa descarta alimentos em aterros sanitários, essa matéria orgânica produz metano durante a decomposição. O metano tem potencial de aquecimento global cerca de 28 vezes superior ao CO₂ (fator GWP-100, AR6 do IPCC). Desviar esse alimento para doação evita essas emissões, e isso pode e deve aparecer no inventário de GHG da empresa no Escopo 3.

O que é o Escopo 3 e por que inclui doações

O GHG Protocol divide as emissões em três escopos. O Escopo 1 cobre emissões diretas. O Escopo 2 cobre energia elétrica comprada. O Escopo 3 abrange todas as demais emissões indiretas da cadeia de valor, incluindo a destinação de resíduos operacionais.

A categoria 5 do Escopo 3 ("Resíduos gerados nas operações") engloba o descarte de alimentos. Quando a empresa desvia alimentos do aterro via doação, ela pode registrar a emissão evitada correspondente, fortalecendo o inventário de GHG com dados operacionais verificáveis.

Como calcular o CO₂ evitado por doação alimentar

A Optima ESG aplica o fator de 2,5 tCO₂e por tonelada de alimento desviado de aterros, baseado nos fatores de emissão de decomposição de matéria orgânica do IPCC (2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories, Vol. 5, Cap. 3). Esse fator está documentado no espelho fiscal e no Certificado de Rastreabilidade emitidos pela plataforma. Atenção: o espelho fiscal é um documento de apoio e não substitui a NF-e oficial.

Exemplo: uma empresa que doa 500 kg de alimentos em um mês desvia 0,5 t de aterro. Emissão evitada estimada: 0,5 × 2,5 = 1,25 tCO₂e. Ao longo de 12 meses com o mesmo volume, o acumulado seria 15 tCO₂e evitadas, dado relevante para o inventário anual.

Como registrar no inventário de GHG

  • Identifique o volume total de alimentos doados no período (em toneladas), a partir das NF-es emitidas.
  • Aplique o fator de conversão documentado: 2,5 tCO₂e por tonelada.
  • Registre como emissão evitada na categoria 5 do Escopo 3 no formulário de inventário.
  • Cite a fonte metodológica: GHG Protocol Corporate Accounting Standard + IPCC Guidelines.
  • Anexe o Certificado de Rastreabilidade Optima ESG e as NF-es como evidência.

Limitações: o que não confundir

As emissões evitadas por doação não reduzem as emissões dos Escopos 1 e 2 da empresa. São um benefício ambiental adicional, não uma compensação. Auditores e investidores experientes distinguem claramente os dois conceitos. O inventário deve apresentar as emissões evitadas em linha separada, com metodologia explícita, sem somá-las como redução de emissões diretas.

Como a Optima ESG apoia esse processo

A plataforma calcula automaticamente o CO₂ evitado acumulado por período, exportável em CSV e JSON para integração com o inventário de GHG. O Certificado de Rastreabilidade inclui a metodologia citada e os dados de rastreabilidade necessários para assurance externo. No plano Enterprise+, auditores Big 4 podem verificar os dados diretamente na plataforma.

Equipe Optima ESG

Time editorial · Optima ESG

Membro do time fundador da Optima ESG, com atuação nas frentes de impacto social, tecnologia e sustentabilidade corporativa.

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